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Paralisia Cerebral

 

A Paralisia Cerebral (PC)  embora esteja no ítem “Doenças Neurológicas Infantis” não é uma patologia em sí, podendo ser descrita como distúrbio ou dano cerebral não progressivo que ocorre durante desenvolvimento fetal ou da criança, e que pode acarretar desordens do desenvolvimento, do movimento e da postura, causando limitação das atividades.

As desordens motoras da Paralisia Cerebral são freqüentemente acompanhadas por distúrbios de sensibilidade, cognição, comunicação, percepção e/ou comportamento (Rosenbaum et al., 2005).

Classificação
A lesão cerebral atinge de forma difusa o cérebro ainda não amadurecido com intensidade diversa e incalculável. No entanto, o cérebro nesta idade é mais plástico (ver texto sobre plasticidade cerebral), podendo equilibrar de forma parcial, porém falha, funções que também não é possível quantificar resultando daí uma multiplicidade de quadros patológicos com diferentes representações clínicas (Flehmig, 2005).
Os tipos de PC usualmente encontrados são caracterizados por distúrbios motores e posturais, podendo ser classsificados:

Quanto a distribuição dos sintomas e sinais motores:

– Diplegia / Diparesia: caracterizado por comprometimento motor total ou parcial e alteração de *tono predominante nos membros inferiores, sendo os superiores pouco atingidos.

– Hemiplegia / Hemiparesia: caracterizado por acometimento motor total ou parcial e alteração do *tono muscular simétrico ou assimétrico de um hemicorpo.

– Tetraplegia / Tetraparesia: é o tipo mais freqüente e grave de PC, acometendo simétrica ou assimetricamente os quatro membros. As manifestações clínicas são, em geral, observadas desde o nascimento, não seguindo as etapas normais do desenvolvimento neuromotor.

Quanto ao tipo de movimento e da característica do tono muscular:

– Forma Hipotônica: caracteriza-se por uma diminuição do tono muscular.

– Formas Discinéticas: caracterizada por movimentos involuntários, além de tono muscular flutuante particularmente durante as tentativas de movimento.

– Forma Atáxica: formas raras de PC, manifestando-se por **ataxia axial e/ou apendicular com tono muscular flutuante.

– Forma Espástica: caracterizada pelo aumento simétrico ou assimétrico do tono muscular. A maioria apresenta uma incapacidade de ativar e controlar os músculos para produzir um movimento voluntário, pois os músculos que estão super ativos em contração constante diminuem de comprimento, tornando-se cada vez mais encurtados e os músculos opostos mais alongados, diminuindo a sua capacidade de produção de força (Iwabe, 2003).

Distúrbios Associados
A PC é geralmente acompanhada por outros distúrbios da função cerebral. Anomalias oculares, disfunções comportamentais e emocionais, alterações da fala e linguagem, retardo mental e epilepsia.

Diagnóstico precoce e diferencial
O diagnóstico precoce e diferencial é realizado principalmente com base na avaliação clínica associado a achados radiológicos após excluir outras patologias. A análise do histórico pré, peri e pós-natal suspeitos, atraso psicomotor, sinais neurológicos positivos, persistência ou assimetria de reflexos primitivos, reações posturais anormais divergentes podem auxiliar no diagnóstico precoce de PC.
As modalidades de imagens podem ser classificadas em estruturais, baseadas em dados anatômicos (tomografia computadorizada e ressonância magnética) ou funcionais, baseadas em dados fisiológicos ou metabólicos (tomografia computadorizada com emissão de fóton único-SPECT e tomografia de emissão de pósitrons – PET)(Iwabe, 2003).

Prognóstico

O prognóstico está relacionado ao tipo clínico da PC, déficit intelectual, deficiência sensorial e ajuste socioeconômico-emocional. Da mesma forma, índice de ***Apgar igual ou inferior a 3 no 10º minuto está associado a um risco de 50% de PC; entretanto, mesmo nesses lactentes, mais de 40% não a desenvolvem, pois apresenta somente o evento único de índice de Apgar baixo.

Equipe Multidisciplinar

A avaliação e intervenção de uma equipe multidisciplinar com Psicólogo, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Fonoaudiólogo, Neurologista e
Ortopedista, entre outros, deve ocorrer e o mais precoce possível. Terapias complementares como Hidroterapia e Equoterapia devem ser consideradas.

* Tônus: Estado de tensão ou contração do músculo em repouso.

* * Ataxia: decomposição de movimento, ou incoordenação e imprevisão nos movimentos, provocando deficiência na suavidade dos mesmos.

***O Índice de Apgar consiste na avaliação de 5 sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, quinto e décimo minutos após o nascimento, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos. Os sinais avaliados são: freqüência cardíaca, respiração, tônus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (no mínimo zero e no máximo dez) resultará no Índice de Apgar.

Referências bibliográficas

Flehmig I. Texto e atlas do desenvolvimento normal e seus desvios no lactente – diagnóstico e tratamento precoce do nascimento até o 18º mês. São Paulo: Atheneu; 2005. 316p.

Iwabe C. Análise da correlação entre o tono muscular, força muscular e as funções motoras em crianças com paralisia cerebral tetraparética espástica devido lesões hipóxico-isquêmicas [Dissertação]. Campinas (SP): Universidade Estadual de Campinas; 2003.

Rosenbaum P, Dan B, Leviton A, Paneth N, Jacobsson B, Goldstein M, et al. The definition of cerebral palsy. In: Proposed definition and classification of cerebral palsy, April 2005. Developmental Medicine & Child Neurology 2005; 47: 571-76.

 Ft. Ms. Siomara Malta Nicacio

Crefito 3/32149F

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